sábado, 19 de maio de 2007

Resignata

Eu tenho raiva
de quem mal cuida
de ter amor.

Gente que quase que tomba
a delicadíssima dádiva
por pura leviandade,
por besteira qualquer.

Me vem a garganta
um discurso resignado
que eu, com malgrado,
tento transmutar
em leve conselho amigo.

Ouçam bem o que eu digo:

Há que se cuidar
com todo zelo,
com todo trato,
com a própria alma,
há que se ninar com calma
esse tão raro presente.

Porque quando ele passa...
Quando ele passa, ah.

Isso é conversa resignada
do meu peito resignado,
que talvez nem valha a pena
contar.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Recesso



Blog em recesso pela total falta de integridade poética das últimas (e muito escassas) produções daquela que vos fala.




Vai ver que pra escrever poesia é necessário um mínimo de clareza sobre o que se sente. Não sei fazer poesia sobre a nebulosidade patética que eu vejo em mim hoje.

Daí é isso.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Gente

Eu queria viver a vida assim:
Poesia e beijos
Risos, afagos, amigos
Conversa e filosofia barata
Cerveja gelada

Queria viver a vida
dias frescos e primaveris
Chuvas fortes e rápidas de verão
Folhas secas nas ruas
Cachecol, chá, bolinhos

Queria olhar lá pra fora
e ver gente sorrindo
Gente chorando abraçada com outro
Gente pensando
ou pensando em nada
Gente bem agasalhada
com a barriga cheia
Gente com alguém pra amar

Queria ver gente
querendo saber
Gente a perguntar
Gente lutando com flores
pra garantir essas flores
que teríamos conquistado todos juntos
nesse meu sonho.




Tá martelando na minha cabeça assim:
"mais um poema infantil. mais um poema infantil."
Só que eu não sei se isso é
bom ou ruim.