Pensando em fabricar
Qualquer produto-palavra que fosse
Me encontrei com a caneta invisível às mãos
E um papel digital.
Nada disso é orgânico;
Ser orgânico não é orgânico
Mas com a caneta inexistente
E esse rio raso que vai do que eu penso
Pro que eu falo
Eu produzo um som metálico
No plástico sob os dedos
Do meu orgânico Ser
Orgânico.
O barulho-produto
desse tudo no mundo que não respira
se tornam coisas físicas
são coisas matemáticas
ondas etéreas eletromagnéticas
E se anulam umas às outras
E se somam umas às outras
E se opõem e se casam
Invadindo meu orgânico Ser
Orgânico?
As ondas elétricas de informação nenhuma
Entram em mim sem licença
E me tomam como raios
eletro-eletrônicos
eletrocutantes
eletrochocantes
Eles revelam ao meu orgânico Ser
EnganadoQue de orgânico
nada tem.
A respiração é codificável.
E ser orgânico
é ser um composto químico organizado carbônico.
Pensando em fabricar
Qualquer produto-palavra que fosse
Martelei um projeto de elegia algébrico
Sobre uma máquina-Ser que chora.
segunda-feira, 27 de março de 2006
quinta-feira, 23 de março de 2006
Casa
Eu sempre ouço passos
Mas não tem ninguém em casa
Eu ouço os sapatos arrastados
no chão da minha casa
Mas não tem ninguém.
Eu ouço o vento ventando
E a porta batendo
E a chave girando
Eu ouço o sangue correndo
O coração batendo
Eu ouço a vida seguindo
Mas não tem ninguém.
Não tem ninguém em casa
E isso é um intervalo no tempo.
Não tem ninguém em casa
E sem ninguém em casa
Minha vida tá em pausa.
O vento ventando
Passarinho cantando
Cachoeira aguando
dentro de mim
O sol brilhando
desse jeito assim
O tempo não passa
Não para
O tempo não é
Não tem ninguém em casa.
Casa, me dá asa
Pra voar que nem o tempo
Pra passar que nem as horas
Pra voltar pro firmamento
Pra onde só haja vento
Pr'eu chegar na minha
Casa.
Mas não tem ninguém em casa
Eu ouço os sapatos arrastados
no chão da minha casa
Mas não tem ninguém.
Eu ouço o vento ventando
E a porta batendo
E a chave girando
Eu ouço o sangue correndo
O coração batendo
Eu ouço a vida seguindo
Mas não tem ninguém.
Não tem ninguém em casa
E isso é um intervalo no tempo.
Não tem ninguém em casa
E sem ninguém em casa
Minha vida tá em pausa.
O vento ventando
Passarinho cantando
Cachoeira aguando
dentro de mim
O sol brilhando
desse jeito assim
O tempo não passa
Não para
O tempo não é
Não tem ninguém em casa.
Casa, me dá asa
Pra voar que nem o tempo
Pra passar que nem as horas
Pra voltar pro firmamento
Pra onde só haja vento
Pr'eu chegar na minha
Casa.
terça-feira, 14 de março de 2006
A Mórbida História de Um Verso que Morreu.
Um mosquito picou meu verso.
Ele inchou, coçou, enrubeceu, incomodou
e demorou uns três dias pra sair.
Quando saiu
já estava pequeno e quase desaparecido.
Um ônibus atropelou os pés do meu verso.
Abusado, ele esperava irriquieto pra fazer a travessia
depois do meio fio, já na estrada,
e por pequeno e quase desaparecido que era
- mas tinha empáfia, isso tinha -
passaram-lhe as rodas graúdas do veículo
sobre os ossos dos minúsculos e pouco ágeis pés
e agora meu verso andava por vezes perneta,
por vezes de ponta-cabeça.
O grafite do lápis partiu-se
inacreditavelmente ao meio
enquanto eu passava pro papel meu verso.
Por não houvesse apontador por perto
,outra caneta, outro grafite,
meu verso ficou pelo meio,interrompido.
E sem sentido.
Ficou então frígido meu verso.
Meu verso enrubecido, perneta, interrom__
pido
não fazia sentido
e nem podia sentir mais.
Meu frígido verso olhou-me bem nos olhos
como um paciente terminal pr'os românticos
(aquele que já não sente mais
pr'os românticos e pr'os versos em verdade jaz)
E cantou-me um cântico de morte.
Meu frígido verso pareceu-me o mais sensível que eu já vira antes,
mas no entando não sentia nada.
Meu verso pediu pra morrer.
E eu coloquei noutros versos
a história frígida do meu verso frígido assassinado
pelo acaso
no ocaso
ou destino infeliz
que esse meu verso teve.
Ele inchou, coçou, enrubeceu, incomodou
e demorou uns três dias pra sair.
Quando saiu
já estava pequeno e quase desaparecido.
Um ônibus atropelou os pés do meu verso.
Abusado, ele esperava irriquieto pra fazer a travessia
depois do meio fio, já na estrada,
e por pequeno e quase desaparecido que era
- mas tinha empáfia, isso tinha -
passaram-lhe as rodas graúdas do veículo
sobre os ossos dos minúsculos e pouco ágeis pés
e agora meu verso andava por vezes perneta,
por vezes de ponta-cabeça.
O grafite do lápis partiu-se
inacreditavelmente ao meio
enquanto eu passava pro papel meu verso.
Por não houvesse apontador por perto
,outra caneta, outro grafite,
meu verso ficou pelo meio,interrompido.
E sem sentido.
Ficou então frígido meu verso.
Meu verso enrubecido, perneta, interrom__
pido
não fazia sentido
e nem podia sentir mais.
Meu frígido verso olhou-me bem nos olhos
como um paciente terminal pr'os românticos
(aquele que já não sente mais
pr'os românticos e pr'os versos em verdade jaz)
E cantou-me um cântico de morte.
Meu frígido verso pareceu-me o mais sensível que eu já vira antes,
mas no entando não sentia nada.
Meu verso pediu pra morrer.
E eu coloquei noutros versos
a história frígida do meu verso frígido assassinado
pelo acaso
no ocaso
ou destino infeliz
que esse meu verso teve.
terça-feira, 7 de março de 2006
Super Rodapé de Reportagem (estilo "Agamenon Mendes Pedreira também quer mesalão".)
Bárbara Araújo Machado tem 16 anos ("só?"), é estudante do Colégio Pedro II ("ihh..."), é chata e não sabe mais escrever nada.
Engrassado ("com dois ésses?")... Bárbara Araújo Machado se pergunta: "Did I lose it?" ("em inglês?") e um pouco depois "Did I ever had it?" e ainda "Why the hell am I thinking in english?!".
Engrassado... Outro dia a avó de Bárbara Araújo Machado lhe disse, gestualizando ricamente e a fazendo lembrar uma dessas atrizes mais idosas cheias de trejeitos: "a vida... é uma incógnita.".
Bárbara Araújo Machado vizualizou automaticamente:
x = vida
e não gostou muito do que viu.
Sabe, Bárbara Araújo Machado gosta pouquíssimo de matemática, e gosta meníssimo do fato de que a matemática tem alguma utilidade. Mas Bárbara Araújo Machado lembra então de sua so-called ("inglês?") teoria de que inutilidade não existe e resolve pensar então em outra coisa.
Bárbara Araújo Machado tinha certeza de quem era até os 11 anos, mais ou menos. A partir de então, tudo se tornou possível, podendo ela ser qualquer coisa, podendo ser o próprio 'ser' uma invenção do homem. Bárbara Araújo Machado surtou? A princípio - a princípio - não.
- e fez uma pausa pra buscar o almoço.
Parou tudo e pensou que almôndega é uma coisa extremamente fofinha. E ficou feliz com isso, que existisse uma coisa fofinha no mundo assim como almôndega. "E o que é isso de existir?", perguntou e não respondeu.
Bárbara Araújo Machado pensa que pensa bastante, mas tudo tá no jeito como se pensa. Ela quase é satisfeita com o jeito que pensa; é o jeito dela mesmo, então tudo bem.
Fala besteira que é um espetáculo, Bárbara Araújo Machado. Mas ela não acha besteira não... porque não é, realmente.
Bárbara Araújo Machado é pouquíssimo fã de entrelinhas e meníssimo fã de complicações. Bárbara Araújo Machado detesta complicações bestas, mas não pense que não gosta de desafios.
Bárbara Araújo Machado quer ser uma árvore de guaraná na próxima encarnação, mas como o acúmulo karmico não permitiria, ela gostaria de ser um sapo antes.
Engrassado ("com dois ésses?")... Bárbara Araújo Machado se pergunta: "Did I lose it?" ("em inglês?") e um pouco depois "Did I ever had it?" e ainda "Why the hell am I thinking in english?!".
Engrassado... Outro dia a avó de Bárbara Araújo Machado lhe disse, gestualizando ricamente e a fazendo lembrar uma dessas atrizes mais idosas cheias de trejeitos: "a vida... é uma incógnita.".
Bárbara Araújo Machado vizualizou automaticamente:
x = vida
e não gostou muito do que viu.
Sabe, Bárbara Araújo Machado gosta pouquíssimo de matemática, e gosta meníssimo do fato de que a matemática tem alguma utilidade. Mas Bárbara Araújo Machado lembra então de sua so-called ("inglês?") teoria de que inutilidade não existe e resolve pensar então em outra coisa.
Bárbara Araújo Machado tinha certeza de quem era até os 11 anos, mais ou menos. A partir de então, tudo se tornou possível, podendo ela ser qualquer coisa, podendo ser o próprio 'ser' uma invenção do homem. Bárbara Araújo Machado surtou? A princípio - a princípio - não.
- e fez uma pausa pra buscar o almoço.
Parou tudo e pensou que almôndega é uma coisa extremamente fofinha. E ficou feliz com isso, que existisse uma coisa fofinha no mundo assim como almôndega. "E o que é isso de existir?", perguntou e não respondeu.
Bárbara Araújo Machado pensa que pensa bastante, mas tudo tá no jeito como se pensa. Ela quase é satisfeita com o jeito que pensa; é o jeito dela mesmo, então tudo bem.
Fala besteira que é um espetáculo, Bárbara Araújo Machado. Mas ela não acha besteira não... porque não é, realmente.
Bárbara Araújo Machado é pouquíssimo fã de entrelinhas e meníssimo fã de complicações. Bárbara Araújo Machado detesta complicações bestas, mas não pense que não gosta de desafios.
Bárbara Araújo Machado quer ser uma árvore de guaraná na próxima encarnação, mas como o acúmulo karmico não permitiria, ela gostaria de ser um sapo antes.
sexta-feira, 3 de março de 2006
Confissão Bárbara
Desculpe se eu estava distante,
É que eu sou distante.
Eu disto
E distôo
Meu tom é outro
Meu tom é meu
O Meu não é daqui
Não é cor daqui
Não é nota musical que se ouça
Aqui.
Eu distôo
E disto
Eu disto distôo
Eu distôo disto
de tudo isso
Do Isso todo
Ai... ai, eu não sou daqui.
[do dia 06/02/06, encontrado ontem, considerado hoje. tchááu!]
É que eu sou distante.
Eu disto
E distôo
Meu tom é outro
Meu tom é meu
O Meu não é daqui
Não é cor daqui
Não é nota musical que se ouça
Aqui.
Eu distôo
E disto
Eu disto distôo
Eu distôo disto
de tudo isso
Do Isso todo
Ai... ai, eu não sou daqui.
[do dia 06/02/06, encontrado ontem, considerado hoje. tchááu!]
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