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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Domingo, 24 de Junho de 2007
Pra menina desalegre se alegrar
"O ontem já passou.
O daqui a pouco ainda nem começou...
só temos o agora."
Sei como é difícil saber
que só o que existe é agora,
porque às vezes é preciso
um certo tempo ocioso
pra gente poder curar.
Mas, menina... vam'bora!
não fica aí tão quieta,
nessa anti-paixão tão seca,
vendo a sua vida passar.
Deixa só eu te contar:
Eu vi um mundo cheio de sorriso e graça!
Eu vi uns dias cheios de luta e conquista.
Eu vi pessoas, vi poemas, vi compassos,
eu vi o céu róseo e azul, meio amarelo.
Sabe o que eu quero?
Eu quero é te ver cantar.
Sabe o que eu quero?
Eu quero é te ver cantar!
Roda, roda, roda... e vai!
Vam'bora, menina boba,
pintar o rosto de palhaço!
Sai dessa, menina linda,
pula mais longe que o primeiro passo.
O daqui a pouco ainda nem começou...
só temos o agora."
Sei como é difícil saber
que só o que existe é agora,
porque às vezes é preciso
um certo tempo ocioso
pra gente poder curar.
Mas, menina... vam'bora!
não fica aí tão quieta,
nessa anti-paixão tão seca,
vendo a sua vida passar.
Deixa só eu te contar:
Eu vi um mundo cheio de sorriso e graça!
Eu vi uns dias cheios de luta e conquista.
Eu vi pessoas, vi poemas, vi compassos,
eu vi o céu róseo e azul, meio amarelo.
Sabe o que eu quero?
Eu quero é te ver cantar.
Sabe o que eu quero?
Eu quero é te ver cantar!
Roda, roda, roda... e vai!
Vam'bora, menina boba,
pintar o rosto de palhaço!
Sai dessa, menina linda,
pula mais longe que o primeiro passo.
Domingo, 17 de Junho de 2007
Sobre amor e tempo.
Na falta de folha encadernada que me enterneça, vai mesmo essa tela e seus bytes.
Eu precisava dizer a alguém que me/se perguntava sobre a duração do amor umas coisas. Então digo agora:
Pense só: o tempo, as horas e as eternidades e finitudes... pense que são só conceitos forjados pelo homem. Para isso, esqueça da lógica, da física, das filosofias naturais...
Uma hora só dura uma hora porque assim foi convencionado. Há quem diga que a vida funciona em ciclos. Que é então a duração de uma vida inteira?
O problema é que a gente pega essa palavra “durar” e condiciona ela à idéia de tempo forjada pelo homem. “Durar pra-sempre” – que pra-sempre é esse afinal?
Não posso afirmar categoricamente quase nada, do alto da minha sabedoria de 17 anos. Mas eu acho que aprendi que sentimentos não obedecem a convenções conceituais forjadas por gente.
Não se deve esperar que o amor – o curioso sentimento em questão – dure eternamente, ou por um mês, ou até depois da morte.
Amor não se insere no tempo. Amor existe, inexiste, é parco, é pleno, é.
A questão é toda outra.
A chave do sentimento é o sentimento em si, o que ele provoca.
Acho que experimentar o amor é quase uma benção, uma baita de uma sorte – aí já não sei bem.
O fato é que não importa pra-sempre, por pouco, ou nada disso; importa o amor.
Não há amor que seja eterno, porque amar transcende os limites do tempo.
É isso: amar transcende os limites.
Daí é assim: é aproveitar enquanto o amor morar em você.
Esquece tempo, esquece limite... e cuidado pra não relegar muita coisa ao futuro, porque isso porque isso acaba sendo descuidar do amor.
E quando ele não morar mais... bem, eu ainda tô no início dessa parte (com o perdão da expressão temporal), ainda não sei contar o que acontece.
Enfim (santa palavra maravilhosa), caminhemos na estrada da vida, que nela as coisas sempre acontecem. E eu abro o que abriga essa palavra "coisas" pr'o que vier, entrar.
Eu precisava dizer a alguém que me/se perguntava sobre a duração do amor umas coisas. Então digo agora:
Pense só: o tempo, as horas e as eternidades e finitudes... pense que são só conceitos forjados pelo homem. Para isso, esqueça da lógica, da física, das filosofias naturais...
Uma hora só dura uma hora porque assim foi convencionado. Há quem diga que a vida funciona em ciclos. Que é então a duração de uma vida inteira?
O problema é que a gente pega essa palavra “durar” e condiciona ela à idéia de tempo forjada pelo homem. “Durar pra-sempre” – que pra-sempre é esse afinal?
Não posso afirmar categoricamente quase nada, do alto da minha sabedoria de 17 anos. Mas eu acho que aprendi que sentimentos não obedecem a convenções conceituais forjadas por gente.
Não se deve esperar que o amor – o curioso sentimento em questão – dure eternamente, ou por um mês, ou até depois da morte.
Amor não se insere no tempo. Amor existe, inexiste, é parco, é pleno, é.
A questão é toda outra.
A chave do sentimento é o sentimento em si, o que ele provoca.
Acho que experimentar o amor é quase uma benção, uma baita de uma sorte – aí já não sei bem.
O fato é que não importa pra-sempre, por pouco, ou nada disso; importa o amor.
Não há amor que seja eterno, porque amar transcende os limites do tempo.
É isso: amar transcende os limites.
Daí é assim: é aproveitar enquanto o amor morar em você.
Esquece tempo, esquece limite... e cuidado pra não relegar muita coisa ao futuro, porque isso porque isso acaba sendo descuidar do amor.
E quando ele não morar mais... bem, eu ainda tô no início dessa parte (com o perdão da expressão temporal), ainda não sei contar o que acontece.
Enfim (santa palavra maravilhosa), caminhemos na estrada da vida, que nela as coisas sempre acontecem. E eu abro o que abriga essa palavra "coisas" pr'o que vier, entrar.
Segunda-feira, 4 de Junho de 2007
Mas ando mesmo descontente e desesperadamente eu grito em português:
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Ausência - Carlos Drummond de Andrade
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Ausência - Carlos Drummond de Andrade
Sábado, 19 de Maio de 2007
Resignata
Eu tenho raiva
de quem mal cuida
de ter amor.
Gente que quase que tomba
a delicadíssima dádiva
por pura leviandade,
por besteira qualquer.
Me vem a garganta
um discurso resignado
que eu, com malgrado,
tento transmutar
em leve conselho amigo.
Ouçam bem o que eu digo:
Há que se cuidar
com todo zelo,
com todo trato,
com a própria alma,
há que se ninar com calma
esse tão raro presente.
Porque quando ele passa...
Quando ele passa, ah.
Isso é conversa resignada
do meu peito resignado,
que talvez nem valha a pena
contar.
de quem mal cuida
de ter amor.
Gente que quase que tomba
a delicadíssima dádiva
por pura leviandade,
por besteira qualquer.
Me vem a garganta
um discurso resignado
que eu, com malgrado,
tento transmutar
em leve conselho amigo.
Ouçam bem o que eu digo:
Há que se cuidar
com todo zelo,
com todo trato,
com a própria alma,
há que se ninar com calma
esse tão raro presente.
Porque quando ele passa...
Quando ele passa, ah.
Isso é conversa resignada
do meu peito resignado,
que talvez nem valha a pena
contar.
Quarta-feira, 16 de Maio de 2007
Recesso
Blog em recesso pela total falta de integridade poética das últimas (e muito escassas) produções daquela que vos fala.
Vai ver que pra escrever poesia é necessário um mínimo de clareza sobre o que se sente. Não sei fazer poesia sobre a nebulosidade patética que eu vejo em mim hoje.
Daí é isso.
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Gente
Eu queria viver a vida assim:
Poesia e beijos
Risos, afagos, amigos
Conversa e filosofia barata
Cerveja gelada
Queria viver a vida
dias frescos e primaveris
Chuvas fortes e rápidas de verão
Folhas secas nas ruas
Cachecol, chá, bolinhos
Queria olhar lá pra fora
e ver gente sorrindo
Gente chorando abraçada com outro
Gente pensando
ou pensando em nada
Gente bem agasalhada
com a barriga cheia
Gente com alguém pra amar
Queria ver gente
querendo saber
Gente a perguntar
Gente lutando com flores
pra garantir essas flores
que teríamos conquistado todos juntos
nesse meu sonho.
Tá martelando na minha cabeça assim:
"mais um poema infantil. mais um poema infantil."
Só que eu não sei se isso é
bom ou ruim.
Poesia e beijos
Risos, afagos, amigos
Conversa e filosofia barata
Cerveja gelada
Queria viver a vida
dias frescos e primaveris
Chuvas fortes e rápidas de verão
Folhas secas nas ruas
Cachecol, chá, bolinhos
Queria olhar lá pra fora
e ver gente sorrindo
Gente chorando abraçada com outro
Gente pensando
ou pensando em nada
Gente bem agasalhada
com a barriga cheia
Gente com alguém pra amar
Queria ver gente
querendo saber
Gente a perguntar
Gente lutando com flores
pra garantir essas flores
que teríamos conquistado todos juntos
nesse meu sonho.
Tá martelando na minha cabeça assim:
"mais um poema infantil. mais um poema infantil."
Só que eu não sei se isso é
bom ou ruim.
Sábado, 28 de Abril de 2007
Canto Torto
Eu quero é que esse canto torto,
feito faca, corte a carne de vocês.
(“À palo seco”, Belchior).
Existe no mundo uma estrada
que guarda em seu fim a resposta
para todas as perguntas.
Às vezes eu penso
que é melhor nem pensar.
O preço da sanidade
pode ser a ignorância.
Daí tanta gente
conseguir viver a vida
e volta e meia até ser feliz.
A felicidade não é
senão a tolice que venda
os homens.
E é por isso que aqueles que tentam,
os que perguntam,
os que de fato pretendem
entender
(e se o fazem
é pelo desejo de resolver,
de curar)
sofrem do sofrimento pungente
que é quase dar de cara com a resposta.
Se a maioria dos homens
escolhe viver na ignorância,
eu não os posso culpar.
Nunca.
Mas há os que a História guarda
no seio magno:
os que tiveram a benção
e a maldição
de acreditar numa antiga
quimera humana inventada:
a Liberdade.
Por ela tiveram a carne
lacerada, queimada e rôta;
por ela traíram a si
e aos seus companheiros.
Em seu nome,
abriram mão da vida tola,
da ignorância doce
que é a possibilidade
de, vez ou outra,
ser feliz.
Por ela foram sãos
e por ela morreram,
ou desistiram
ou ainda se venderam
sem, porém, conseguir esquece-la.
É uma semente de inquietação que dá no peito.
Faz sentir-se às vezes tão pequeno,
mas também tão engrenagem de alguma coisa
que pode mover-se,
transformar-se.
É uma semente que faz não aceitar
e não querer desistir.
É também uma semente de fé.
Todos os que um dia lutaram por Liberdade
foram como religiosos.
E ainda o são, o serão.
É questão de crença e quase que só.
Crer que a humanidade é um todo
que merece ser livre.
Eu, por minha vez,
não sei.
Vejo nas idéias e nas práticas
- todas aquelas de que tomei conhecimento -
contradições.
Há muitos talvezes na vida
e o passar dos dias vai embrutecendo a gente
(ainda que haja aqueles poucos
que nos brotem flores).
Existe há tempos uma semente
de inquietação no meu peito,
que não me deixa respirar
serenamente.
Quase sempre eu fecho os olhos
e sinto a luz do sol
ou vento frio,
o cheiro bom da grama molhada
e o movimento que os músculos fazem
ao engendrar um sorriso.
É o meu remédio.
Mas nenhuma convicção cria raiz
dentro de mim,
porque simplesmente
a vida é dialética pra sempre.
A contradição tá sempre lá,
daí ter paz ou ser livre
parecem tão... mentiras.
Eu tenho escrito prosa seca
em versos disformes.
E se hoje alguém me perguntar o que eu sou
ou o que eu sei,
responderei com meu silêncio,
desviando meu olhar.
É como seu eu tivesse parado
após a pergunta.
Eu estou presa no silêncio
que precede a resposta.
feito faca, corte a carne de vocês.
(“À palo seco”, Belchior).
Existe no mundo uma estrada
que guarda em seu fim a resposta
para todas as perguntas.
Às vezes eu penso
que é melhor nem pensar.
O preço da sanidade
pode ser a ignorância.
Daí tanta gente
conseguir viver a vida
e volta e meia até ser feliz.
A felicidade não é
senão a tolice que venda
os homens.
E é por isso que aqueles que tentam,
os que perguntam,
os que de fato pretendem
entender
(e se o fazem
é pelo desejo de resolver,
de curar)
sofrem do sofrimento pungente
que é quase dar de cara com a resposta.
Se a maioria dos homens
escolhe viver na ignorância,
eu não os posso culpar.
Nunca.
Mas há os que a História guarda
no seio magno:
os que tiveram a benção
e a maldição
de acreditar numa antiga
quimera humana inventada:
a Liberdade.
Por ela tiveram a carne
lacerada, queimada e rôta;
por ela traíram a si
e aos seus companheiros.
Em seu nome,
abriram mão da vida tola,
da ignorância doce
que é a possibilidade
de, vez ou outra,
ser feliz.
Por ela foram sãos
e por ela morreram,
ou desistiram
ou ainda se venderam
sem, porém, conseguir esquece-la.
É uma semente de inquietação que dá no peito.
Faz sentir-se às vezes tão pequeno,
mas também tão engrenagem de alguma coisa
que pode mover-se,
transformar-se.
É uma semente que faz não aceitar
e não querer desistir.
É também uma semente de fé.
Todos os que um dia lutaram por Liberdade
foram como religiosos.
E ainda o são, o serão.
É questão de crença e quase que só.
Crer que a humanidade é um todo
que merece ser livre.
Eu, por minha vez,
não sei.
Vejo nas idéias e nas práticas
- todas aquelas de que tomei conhecimento -
contradições.
Há muitos talvezes na vida
e o passar dos dias vai embrutecendo a gente
(ainda que haja aqueles poucos
que nos brotem flores).
Existe há tempos uma semente
de inquietação no meu peito,
que não me deixa respirar
serenamente.
Quase sempre eu fecho os olhos
e sinto a luz do sol
ou vento frio,
o cheiro bom da grama molhada
e o movimento que os músculos fazem
ao engendrar um sorriso.
É o meu remédio.
Mas nenhuma convicção cria raiz
dentro de mim,
porque simplesmente
a vida é dialética pra sempre.
A contradição tá sempre lá,
daí ter paz ou ser livre
parecem tão... mentiras.
Eu tenho escrito prosa seca
em versos disformes.
E se hoje alguém me perguntar o que eu sou
ou o que eu sei,
responderei com meu silêncio,
desviando meu olhar.
É como seu eu tivesse parado
após a pergunta.
Eu estou presa no silêncio
que precede a resposta.
Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
À Saudade
Hoje o que eu quero
é te cantar esse poema, Saudade.
Pois no meu peito em que um dia
residiu coisa tão boa
hoje o que resta é só tu,
já que hoje eu sou só metade.
Eu passo pelas ruas das cidades
cantando.
A música e todas as cores do céu
são doces
tal como és doce – doce demais.
De um jeito que traz na essência
essa procura pungente
pelo sabor que tinha o antes.
Antes...
quanto em meu peito
tocava um samba assim,
de amor.
Meu coração,
que um dia bateu pandeiro,
agora é choro;
bonito demais.
É doce te ter comigo, parceira,
mas, ô, Saudade,
queria só por um tempo,
num beijo imenso,
deixar-te pra trás.
é te cantar esse poema, Saudade.
Pois no meu peito em que um dia
residiu coisa tão boa
hoje o que resta é só tu,
já que hoje eu sou só metade.
Eu passo pelas ruas das cidades
cantando.
A música e todas as cores do céu
são doces
tal como és doce – doce demais.
De um jeito que traz na essência
essa procura pungente
pelo sabor que tinha o antes.
Antes...
quanto em meu peito
tocava um samba assim,
de amor.
Meu coração,
que um dia bateu pandeiro,
agora é choro;
bonito demais.
É doce te ter comigo, parceira,
mas, ô, Saudade,
queria só por um tempo,
num beijo imenso,
deixar-te pra trás.
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
Pra você.
O tempo é um monstro e é um senhor.
Ele tem o poder de dar e de varrer as coisas.
Vai ver que tudo na vida é sorte.
Sorte de ser escolhido pelo tempo pra viver um pouquinho do que é bom.
Mas aí... aí acaba.
E quando acaba, vem o depois.
E no depois é só dor.
É no depois que a gente fica pensando
tudo que deveria ter feito diferente.
Tudo o que deveria ter feito mais,
e como era bom...
É no depois que a gente fica só, perdido,
pensando que não aproveitou ao máximo
o que o tempo concedeu;
como a gente foi leviano.
A minha vida é dor.
É uma base de dor que fica lá no fundo,
enquanto eu brinco, sorrio, trabalho, estudo,
e que, quando eu ponho a cabeça no travesseiro,
toma conta de todos os meus poros, mais que o meu coração,
e me faz chorar e doer
e querer e querer e querer e não ter
e sonhar que tô correndo tão rápido
sem saber se é fuga ou se é perseguição
numa noite escura da cidade dos sonhos
até que eu acordo com o coração pulando muito
e torço com toda a minha força
pra ele pular demais da conta
e sair pra fora de mim,
pra fora de mim.
Ele tem o poder de dar e de varrer as coisas.
Vai ver que tudo na vida é sorte.
Sorte de ser escolhido pelo tempo pra viver um pouquinho do que é bom.
Mas aí... aí acaba.
E quando acaba, vem o depois.
E no depois é só dor.
É no depois que a gente fica pensando
tudo que deveria ter feito diferente.
Tudo o que deveria ter feito mais,
e como era bom...
É no depois que a gente fica só, perdido,
pensando que não aproveitou ao máximo
o que o tempo concedeu;
como a gente foi leviano.
A minha vida é dor.
É uma base de dor que fica lá no fundo,
enquanto eu brinco, sorrio, trabalho, estudo,
e que, quando eu ponho a cabeça no travesseiro,
toma conta de todos os meus poros, mais que o meu coração,
e me faz chorar e doer
e querer e querer e querer e não ter
e sonhar que tô correndo tão rápido
sem saber se é fuga ou se é perseguição
numa noite escura da cidade dos sonhos
até que eu acordo com o coração pulando muito
e torço com toda a minha força
pra ele pular demais da conta
e sair pra fora de mim,
pra fora de mim.
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